terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Rua dos Andradas, 69

Foto: Renan Rodrigues

Trânsito caótico, centenas de pedestres e gente com sacolas cheias de compras. Lojas de eletrônicos, bares, lanchonetes, camelôs. Ali, perto de toda essa movimentação, a seiscentos metros da linha do trem, fica a rua dos Andradas. Ali, um edifício de dez andares, fachada recentemente pintada de vermelho e amarelo bem conservada, destoando-se num entorno deteriorado, apresenta uma movimentação incomum até mesmo para um imóvel localizado na região central. Um constante entra e sai de pessoas – quase todos homens –chama a atenção dos desavisados. A fachada, porém, não dá sinal nenhum do que pode atrair tanta gente. Não há placas, banner, nada. Apenas a tradicional indicação do número de endereço. O número meia nove provavelmente nunca combinou tão bem com um local.

A portaria é ocupada por João, um senhor negro de jeito calado que observa atentamente o movimento e se oferece também para atuar como guarda-volumes. Os mais jovens precisam mostrar o RG para provar que são maiores de idade e terem a entrada autorizada. Há duas opções para explorar a verdadeira face do lugar. Uma porta leva a uma escada, enquanto, à esquerda, fica o elevador. O modelo é característico, típico dos anos 80: move-se devagar e barulhentamente, aos solavancos. Dos degraus, chega o som de vozes femininas, muitas. Risadas, conversas baixas, gritinhos, gracejos. O elevador abre suas portas e logo já está cheio. Lá dentro uma senhora de idade e bastante acima do peso come uma coxinha sentada em um banquinho, fazendo o papel de ascensorista. Nas mãos tem uma caixa repleta de moedas e algumas notas de um real. “Caixinha da tia”, diz Carmen, sorrindo e apontando para a caixa, para depois estender a mão para seus colegas de elevador. Todos parecem já saber como funcionam as coisas por ali e entregam uma quantia já separada para ela. Carmen pede pelo menos cinqüenta centavos de cada um, “para ajudar”. E deixa a sua dica: “O bom é ir até o último andar. Aí você desce de escada. As meninas vão ficar agarrando, puxando. Aí vocês falam que ‘já foram’ e pronto. Aí você vê qual vai querer, escolhe. Se precisar sobe de novo de elevador pra encontrar ela”.

Quando as portas do elevador se abrem novamente, no nono andar, partem todos a descida das escadas rumo ao térreo. Cada andar tem quatro apartamentos. Em suas portas e espalhadas pelas escadas, apoiadas no corrimão, mulheres, mulheres e mais mulheres. Altas, baixas, gordas, magras, bonitas, feias, negras, brancas, mais novas, mais velhas. A maioria veste apenas lingerie, camisolas, calcinhas fio-dental. Em cada andar, até dez garotas se posicionam para “atacar” quem passa. Puxam pela mão, agarram pela cintura, chamam, perguntam: “vamo metê?”. Algumas atacam o ponto fraco: sabendo que o homem pensa mais com a cabeça de baixo, já vão direto ao ponto para tentar garantir o trabalho.

Segundo Carmen, cerca de quatrocentas garotas dão expediente por ali. O número parece um tanto exagerado, mas dá uma noção das dimensões do negócio. Os apartamentos viram vários quartos, com divisórias de escritório ou mesmo apenas toalhas e cortinas. O preço é de vinte reais por quinze minutos de sexo, mas pode chegar a quinze com alguma negociação ou garotas menos requisitadas. Outros detalhes também precisam ser definidos antes: sexo anal, por exemplo, pode render uma cobrança extra, dependendo da garota. É o chamado “presentinho”, que às vezes sai mais caro que o próprio valor do programa. As negociações acontecem em todo lugar, em frente às portas ou no meio da escada.

A dificuldade para descer os andares mostra que os conselhos de Carmen eram sábios. Qualquer vacilo pode resultar em estar preso, agarrado por alguma moça. Puxam pela mão, abraçam, levam para um canto, começam carícias, pegam a mão do homem e passam pelo corpo, enquanto sussurram. “Você não quer me comer, transar bem gostoso?”. Há as que insistem mais e até xingam quem passa direto ou se desvencilha com mais facilidade. Algumas utilizam a tática de pedir que o homem entre para conhecer o quarto ou pegar seu cartão de visitas. Quem se deixa levar fica numa situação complicada, quase obrigado a fazer o programa, seja por ameaça ou porque a garota já “ataca” a vítima. O expediente, inclusive, é lembrado por Paulo, que trabalha no bar e lanchonete Coringa, ao lado do prédio. “Elas vão te agarrando, às vezes chegam em duas, três...e nessa quando você vê pode estar sem carteira e você nem sabe o que aconteceu. E também nem pense em arrumar confusão por lá”. Se qualquer freqüentador de baixo meretrício sabe que briga na “zona” sempre termina mal para o homem, em um prédio com mais de uma centena de mulheres não poderia ser diferente.

Pelos corredores apertados não há só garotas tentando fisgar um cliente nem que na briga. Algumas parecem mais cansadas, quietas na frente das portas, outras sentam-se nas escadas. Há até mesmo algumas que aproveitam para ler uma revista enquanto esperam tirar a sorte e outras que comem por ali mesmo, para não perder tempo de trabalho.

De acordo com Carmen, o movimento tem alguns picos. Um deles é no horário do almoço. Muita gente que trabalha nas proximidades aproveita a folguinha do serviço para uma rapidinha por ali. Outro é mais próximo ao fim do dia, lá pelas quatro e meia, cinco horas, quando parte das pessoas já termina o expediente. Daí conclui-se que os clientes do prédio são, em sua maioria, homens que trabalham por perto. Mas, observando os corredores, o que se observa é um desfile de gente de todo tipo. Engravatados, peões de obra, estudantes, playboys curiosos, andarilhos esfarrapados, motoboys. Dentre esses, há os freqüentadores assíduos, que buscam diretamente o elevador e às vezes até mesmo um andar e garota específicos. E há os aventureiros, marinheiros de primeira viagem que ouviram falar do meia-nove e foram até lá conferir. Esses podem ser reconhecidos até mesmo pelo semblante. Vão de escada e se mostram até assustados frente ao vai e vem de gente e à agressividade das mulheres na caça pelo cachê de vinte reais. Esses são também os que acabam presos em algum canto por uma garota mais insistente enquanto olham para os lados procurando alguma ajuda. Se consegue se libertar, desce aos gritos de “viado, não gosta de muié, não quer meter” ou sob acusações de ser “pobre, falido, não tem vinte reais pra um programinha”.



17 comentários:

  1. Muito bom conheço o antro e garanto a mais perfeita descrição do ambiente. Parabens.

    ResponderExcluir
  2. Essas mulheres não se preocupam mesmo em conquistar os clientes,vê-se o por que de não terem muitas escolhas na vida,perder e ganhar faz parte da vida,sendo tão grosseiras só existe mesmo uma escolha.
    Veja que tudo vem do interior da pessoa.
    Eu pensei que todas as prostitutas fossem educadas,gentis e experientes para conseguir uma boa leva de clientes.Se a pessoa ganha dinheiro com isso,deveria se dedicar mais à escolha que fez,à profissão que escolheu,e fazer o que escolheu muito bem feito.Esse mundo está mesmo de ponta cabeça,onde já se viu xingar um cliente só por que ele não quis com ela,ou por perder vinte reais?
    Por isso não me sinto insegura com a existência delas ou de nenhuma mulher que só pensa em dinheiro,a inteligência é fundamental,completa a beleza exterior,e dá mais dinheiro.rsrs
    (OBS.-não estou generalizando.)

    ResponderExcluir
  3. Ja comi muita puta por la viu, e garanto que tem muita mulher qe vale mais que 20 reais, mas muitas tamb´me que não vale 1 centavo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Qual o melhor horario para se ir , no 69 , onde vou encontrar as melhores ?//?.. e qual andar tem.as.melhores

      Excluir
    2. Qual o melhor horario para se ir , no 69 , onde vou encontrar as melhores ?//?.. e qual andar tem.as.melhores

      Excluir
  4. Para quem nunca visitou o local, uma oportunidade para conhecer.
    Para quem já visitou o local, uma oportunidade para relembrar.

    Reportagens feitas sobre o Predião: Rua dos Andradas, 69

    1- http://www.youtube.com/watch?v=SL3elvINY7A

    2- http://www.youtube.com/watch?v=TYRs9w0aspQ

    3- http://www.youtube.com/watch?v=cZuM74TazUw

    Um abraço a todos

    ResponderExcluir
  5. Trecho da reportagem (exibida em 16/09/2011) feita pela TV Record, sobre "locais de entretenimento"

    Quem já foi um dia ao local "aliviar o stress", é uma chance para trazer velhas lembranças.
    E quem ainda não foi lá, é uma chance para conhecer como funciona.

    Mais uma reportagem feita sobre o Predião: Rua dos Andradas, 69

    http://www.youtube.com/watch?v=NSqDeOfZ_6U

    Abraço a todos

    ResponderExcluir
  6. Esse prédio é um dos lugares onde me sinto mais à vontade..kkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  7. eu gostaria de saber em qual andar fica as garotas mais gostosas? alguem poderia me responder

    ResponderExcluir
  8. trampo la o meu andar e 5 la so as melhores

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Trabalhei muito tempo la no quinto andar agora so ficou a paulinha...tres e quatro tb sao bons

      Excluir
  9. Por incrível que pareça, as "meninas" lá melhoraram o nível. O mercado de acompanhantes está complicado para todas.

    http://www.helenas.com.br

    ResponderExcluir
  10. Esse site - http://www.helenas.com.br - só tem fotos falsas de garotas do exterior, feito para pegar otários. Tomem cuidado!

    ResponderExcluir
  11. Alguém sabe me dizer o telefone de la para mim marca um quarto

    ResponderExcluir
  12. Qual o horário de funcionamento de lá

    ResponderExcluir